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Archive for Abril 2012

Lição 05 - PÉRGAMO, A IGREJA CASADA COM O MUNDO

 
Texto Áureo: II Co. 6.14,15 – Leitura Bíblica: Ap. 2.18-25

Prof. José Roberto A. Barbosa


INTRODUÇÃO
Dentre as igrejas da Ásia Menor, uma se destaca pela tolerância ao pecado. Na aula de hoje estudaremos a respeito dessa igreja, a de Tiatira, sua contextualização histórica, sua condescendência com o pecado, e, ao final, o apelo de Cristo para que essa igreja passe a viver em santidade. Esse apelo se aplica, pela Palavra e o Espírito, às igrejas contemporâneas, a fim de que não convivam naturalmente com a prática do pecado.

1. A IGREJA DE TIATIRA
Tiatira era uma cidade que tinha posição geográfica privilegiada, pois estava localizada no percurso do correio imperial. Por isso, toda a movimentação comercial entre a Europa e a Ásia passava por aquele caminho. O comércio assumia posição de destaque com a produção de lã, couro, linho, bronze, tinturaria e alfaiataria em geral.  As divindades pagãs eram adoradas em meio a esse comércio. Para não perderem dinheiro, muitos cristãos faziam pactos com as agremiações comerciais, comprometendo sua espiritualidade. Alguns estudiosos acreditam que Lídia, uma das mais notáveis convertidas de Filipos, teria retornado a sua terra, Tiatira, a fim de auxiliar na formação de uma igreja naquela cidade (At. 16.14). A igreja de Tiatira é reconhecida por Cristo pelas obras, serviço, fé e paciência (Ap. 2.19). Essas são qualidades fundamentais à fé cristã, características que faltavam à igreja de Éfeso, tendo em vista que essa havia esfriado no primeiro amor, e demonstrava fidelidade, uma das fragilidades de Pérgamo, ainda que, como Esmirna, havia aprendido a perseverar diante das tribulações. O fundamento de tais virtudes, conforme expõe Paulo aos tessalonicenses, é o Senhor Jesus Cristo (I Ts. 1.3). É assim que o amor verdadeiro resulta em serviço genuíno que alimenta a esperança, mesmo em meio às tribulações. Enquanto que Éfeso estava em uma situação pior que a do início, a de Tiatira era o inverso, essa crescia em obras, de modo, conforme atesta o Senhor, suas “últimas obras são mais do que as primeiras” (Ap. 2.19). Tratava-se, portanto, de uma igreja que estava crescendo em obras, sua prática cristã estava em progressão, e não em declínio.

2. UMA IGREJA QUE TOLERA O PECADO
O problema de Tiatira era a tolerância com o pecado, e Jesus, sendo Aquele que “tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao latão reluzente” (Ap. 2.18), não pode tolerá-lo. Ele repreende essa igreja por tolerar uma falsa profetiza que conduzia o povo a pecar tal como a Jezabel do Antigo Testamento, cujo nome significa, “puro, casta”. Jezabel foi responsável por introduzir o culto pagão a Baal entre os israelitas. Além de patrocinar o paganismo, ela ainda perseguiu os profetas de Deus. Quando Jezabel se casou com o rei Acabe, ela se encarregou de infiltrar, no culto judaico, elementos da sua religiosidade. Sob a influência da sua esposa, o rei Acabe construiu um templo a Astarte, a consorte de Baal, em Samaria e passou a sustentar 850 profetas em atividades cultuais que envolviam a imoralidade (I Rs. 16.30-32; 18.4; 19; 21.25). Essa nova Jezabel, a quem Jesus reprova em Sua carta à Tiatira, fundamenta-se no gnosticismo, um movimento filosófico-religioso que negava a matéria e incitava ao abuso do corpo, por considerar que esse seria destruído depois da morte. Essa mulher, que se dizia profetiza, ensinava e enganava os servos de Jesus, para que esses se prostituíssem e comessem dos sacrifícios da idolatria (Ap. 2.20).  A igreja de Éfeso odiava as práticas dos nicolaítas e não as tolerava (Ap. 2.2,6), a de Pérgamo tinha alguns que suportavam a doutrina de Balãao e dos nicolaítas (Ap. 2.15,16), mas a de Tiatira passou a tolerá-los, isto é, a conviver normalmente com suas atitudes no seio da igreja (Ap. 2.20). Como nestes dias, muitas igrejas estão fazendo “vista grossa” em relação ao pecado, a disciplina parece ser um assunto descartado, a busca pelo politicamente e juridicamente correto está solapando a moralidade das igrejas. Os cristãos não podem mais viver em pecado, pois morreram para ele (Rm. 6.1,2), a disciplina, em amor, é saúde não apenas para a igreja, mas para o próprio disciplinado (I Co. 11.20-32; Rm. 12.15; Hb. 12.11).

3. UM APELO À SANTIDADE
Jesus deu tempo para que essa Jezabel “se arrependesse da sua prostituição”, mas ela “não se arrependeu” (Ap. 2.22). Essa é uma demonstração de que Deus não tem prazer na morte do ímpio, antes espera que ele se arrependa, e seja salvo (II Pe. 3.9; I Tm. 2.4). Mas há limite, pois o juízo virá, ainda que não seja agora, mas no tempo determinado por Deus, quando Cristo colocar todos os inimigos debaixo de seus pés (I Co. 15.25), o dia da ira do Cordeiro (Ap. 6.17). A cama da promiscuidade estabelecida por Jezabel se transformará numa cama de sofrimento, de tribulação. Jesus é longânimo, dar tempo para que o pecador se arrependa, mas Ele tem poder para antecipar o julgamento, como fez com Ananias e Safira (At. 5), e ferir de morte aos filhos de Jezabel, como disciplina para que todas as igrejas saibam que Ele é Aquele que “sonda as mentes e os corações. E que dá a cada um segundo as suas obras” (Ap. 2.23). A irreverência na celebração da Ceia do Senhor levou muitos à morte (I Co. 11.17-32), pois não se pode profanar aquilo que é sagrado, o que fora santificado por Deus. O próprio corpo é templo e morada do Espírito Santo, por isso, devamos separá-lo para a glória dAquele que nele habita (I Co. 6.19,20). Felizmente, nem todos se dobraram diante da doutrina de Jezabel, alguns não tinham esse ensinamento, outros, melhor ainda, não quiseram conhecê-lo (Ap. 2.24). Adão e Eva poderiam ter desfrutado da presença de Deus, caso não quisessem se apropriar do fruto da arvore do conhecimento do bem e do mal (Gn. 2.17). Nem tudo deve ser experimentado, o ensinamento da Palavra de Deus é suficiente para sabermos o que pode nos distanciar do centro da vontade de Deus, que é boa, perfeita e agradável (Rm. 12.1,2).

CONCLUSÃO
A vontade de Deus é a nossa santificação (I Ts. 4.3), pois Deus nos escolheu para que sejamos santos (Ef. 1.4). Não podemos esquecer que os puros de coração verão a Deus (Mt. 5.8) e que sem a santificação ninguém verá ao Senhor (Hb. 12.14). Aquele que assim proceder receberá a promessa de Jesus de que julgará os ímpios e reinará com Ele (Ap. 2.26,27). Como lembrou Paulo aos coríntios, os santos julgarão o mundo (I Co. 6.2), isso se dará no futuro, quando Cristo vier reinar (Ap. 12.5; 19.15). Esses receberão também a estrela da manhã, isto é, conhecerão a Cristo, que assim se identifica em Ap. 22.16. Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas.

BIBLIOGRAFIA
GUNTER II, D. M. Seven letters to seven churches. Kansas: Beacon Hill Press, 2011.
STOTT, J. O que Cristo pensa da igreja. Campinas: United Press, 1999.

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Engessamento da igreja evangélica: teólogo poeta mostra crise no Cristianismo brasileiro?


(Foto: Reuters)
Os conflitos entre denominações, pastores e líderes evangélicos, entre crentes e entre igrejas, podem estar mostrando crise no Cristianismo no Brasil?

Recentemente, o pastor e teólogo Ricardo Gondim escreveu um artigo intitulado “Porque parti” explicando os motivos por ter se afastado do movimento evangélico no Brasil.

Segundo ele, o sistema religioso que lhe abrigou se “esboroava”, apontando “fadiga como denúncia”, o que alguns o interpretam como fraqueza.

“Se era fraqueza, foi proveitosa, pois despertava para uma realidade: o Movimento Evangélico vinha se transformando em cabide de oportunistas; permitindo que incompetentes, desajustados emocionais e – por que não dizer? – vigaristas, se escorassem nele”, diz ele.

Gondim alega que recebeu “a fúria dos severos defensores da reta doutrina” apontando traições, inimizades e invejas. “Fui traído. Antigas invejas se fantasiaram de zelo pela verdade, e parceiros se transformaram em inimigos. Senti o escarro do desdém.”

Em sua declaração de partida “Tempo de partir”, o teólogo fez também sérias acusações sobre as igrejas pelas quais passou, tais como a igreja presbiteriana, Assembleia de Deus e a igreja Betesda.

Gondim acusou a igreja presbiteriana de exigir dele que negasse a experiência de falar em línguas estranhas com ameaça de expulsão e excomunhão, quando ele a frequantava na época. Na Assembleia de Deus, ele apontou problemas como “legalismo”, “politicagem interna” e “ânsia de poder temporal”.

Muitos teólogos e líderes evangélicos, entretanto, afirmam que Gondim tem carecido de firmeza na graça do Evangelho, pela qual conflitos entre seus irmãos em Cristo e distorções bíblicas transparecem. Mas tal problema vem a mostrar um engessamento da igreja evangélica brasileira?

Engessamento da igreja

Segundo o apologista Johnny Torralbo Bernardo do Instituto de Pesquisas Religiosas (INPR), a igreja evangélica pode estar passando por problemas como legalismo e engessamento, após longos anos de crescimento e expansão.

Esses problemas não somente acontecem no Brasil, mas em outros países também como nos Estados Unidos, por exemplo. Segundo ele, a “massa” precisa ser “trabalhada e acompanhada”. “Na ausência de tais requisitos, a massa torna-se crua e sem vida”.

O “peso do rancor religioso” citado por Gondim, pode também ser relacionado com a defesa de fé de algumas denominações evangélicas e Bernardo afirma que muitas carecem de parâmetros e basamento bíblico.

“Há uma constante suspeita quanto ao desconhecido - cristãos menos abertos ao debate tendem a demonizar tudo que, aparentemente, lhe pareça estranho ou distante. Foi assim quando da chegada da televisão ao Brasil.”

Bernardo completa dizendo, “ mesmo ocorre quando do tratamento de questões políticas e da família. Há grupos evangélicos que chegam até mesmo a proibir o uso de preservativos e vasectomia - são poucos, mas existem em nosso meio.”

Apesar de todos os problemas, afastar-se do movimento evangélico, não significa necessariamente um afastamento de Deus e de seu Reino, afirma o apologista.

“Quando alguém se diz insatisfeito com o movimento (no caso, evangélico), não está, necessariamente, abdicando da Igreja Invisível - seu amor a Cristo e ao Reino de Deus deverá continuar firme e inabalável.”

Fonte: http://portugues.christianpost.com/

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Lição 05 - PÉRGAMO, A IGREJA CASADA COM O MUNDO


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Lição 05 - PÉRGAMO, A IGREJA CASADA COM O MUNDO

 
Texto Áureo: I Jo. 2.15,16 – Leitura Bíblica: Ap. 2.12-17

Prof. José Roberto A. Barbosa
 

INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos a respeito da Carta de Jesus à Igreja de Pérgamo. O principal problema dessa igreja era a substituição da verdade pelo erro. Inicialmente, contextualizaremos a igreja na cidade, mostraremos que se tratava de uma igreja que negociava a verdade, fazendo conchavos com o mundo, e, ao final, concluiremos ressaltando que a verdade triunfará sobre o erro.

1. A IGREJA DE PÉRGAMO
A palavra “pérgamo” significa “casado”, mas, pelo que depreendemos desta carta, aquela igreja estava casada com o mundo, não com Cristo. Do ponto de vista histórico, Pérgamo era uma das cidades mais importantes da Ásia. Tratava-se de um centro cultural, famoso por sua biblioteca com mais de 200.000 pergaminhos, a segunda maior do mundo, menor apenas que a de Alexandria. O nome pergaminho vem justamente dessa cidade, isso porque no Século III a. C., o rei de Pérgamo, Eumenes, decidiu transformar a biblioteca de Pérgamo na maior do mundo. Para tanto, convenceu Aristófanes de Bizâncio, bibliotecário de Alexandria, a vir para Pérgamo. Ptolomeu, que era o rei do Egito, se revoltou, e em resposta, embargou o envio de papiro para Pérgamo. A saída foi a criação do pergaminho, material de couro alisado, que veio a superar o papiro. Mas aquela cidade não era apenas um grande polo cultural, havia também naquele lugar uma religiosidade efervescente. No topo da Acrópole se encontrava o templo a Zeus, considerada uma das sete maravilhas do mundo antigo. O deus Esculápio era também cultuado naquela cidade, famoso pelos sacerdotes-médicos, onde estava edificada uma escola de medicina. Havia uma mistura entre os conhecimentos médicos e a religiosidade pagã. As curas, na maioria das vezes, eram atribuídas a Esculápio – o deus serpente. O imperador também era adorado em Pérgamo, no ano 29 d. C., foi construído o primeiro templo a um imperador vivo, na época Augusto.

2. UMA IGREJA QUE NEGOCIA A VERDADE
A situação da igreja de Pérgamo era bastante parecida com a que testemunhamos hoje em muitos contextos. A igreja, a fim de tirar proveito do império, e de se enquadrar diante das demandas culturais, acabou por fazer concessões, abrindo mão da verdade, em favor do erro. Como Balaão, que fora contratado por Balaque para amaldiçoar Israel (Nm. 25; 31.16), não são poucas as igrejas que se deixam seduzir pelo deus Mamon (Mt. 6.24). Como o anjo da igreja de Pérgamo, muitos pastores se desviam facilmente da verdade quando recebem alguma proposta política, por meio da qual tirarão algum proveito financeiro. Tais pastores, à moda de Balaão, incitam o povo a pecar, fazem aberturas que consideram “politicamente corretas”, dominados pela ganância (II Pe. 2.15; Jd. 11). Por esse motivo, a igreja de Pérgamo estava atrelada à doutrina dos nicolaítas, isto é, a um anomismo, ou negação de qualquer princípio. O liberalismo moral tem conduzido muitas igrejas à ruina, distanciando-as da Palavra de Deus (Gl. 5.1; Rm. 6.1; Jd. 4). A fim de agradar aos ouvintes, que não mais querem ser rotulados de pecadores, alguns pregadores estão deixando de pregar todo o conselho de Deus (I Tm. 4.1-4). O pecado precisa ser admitido para que se chegue ao pleno arrependimento. A própria fonte do pecado deve ser identificada, pois é o próprio Diabo. O mundo jaz no Maligno, Satanás está no controle dos valores que são defendidos diariamente nos meios de comunicação de massa (Jo. 12.31; Ef. 2.2; 6.12). O consumismo, a pornografia, entre outros são postos como verdades aceitas, mas não passam de engano, repassados desde a antiga serpente (Gn. 3.1-4; Ap. 12.9; II Co. 4.4), lugar de trevas e escuridão (Lc. 22.53; Ef. 6.12; Jo. 3.20).

3. O TRIUNFO DA VERDADE SOBRE O ERRO
Mas Jesus conclama a igreja ao arrependimento, a tolerância ao pecado deveria ser revista. A igreja de Pérgamo deveria abandonar o erro e se voltar para a doutrina verdadeira. A falta de arrependimento resultaria em juízo, ainda que essa seja uma mensagem impopular nos dias modernos, a igreja não pode se furtar a declarar que Cristo é o Senhor e Juiz (At. 10.42). Ele é quem tem a espada aguda de dois fios, que é viva e eficaz (Hb. 4.12; Ef. 6.17). Contra o erro, que solapa a firmeza da igreja, não há outra saída, a voltar para a Palavra de Deus. Muitas igrejas ditas evangélicas estão se distanciado do padrão cristão porque não têm compromisso com o ensinamento bíblico. A liderança, vendida ao mundo, interessada somente nas barganhas de Satanás, não pregam mais a palavra. Quando o fazem mutilam totalmente as Escrituras, escolhem passagens isoladas, ao seu bel prazer, a fim de fundamentarem seus posicionamentos. Mas nem tudo está perdido, existe, na igreja, como naqueles tempos, aqueles que não negam a fé em Cristo, os quais, como Antipas, são fiéis testemunhas. De acordo com a tradição, Antipas, cujo nome significa “contra todos”, era o pastor da igreja de Pérgamo, que se recusava a aceitar o status político daqueles dias. Ele foi morto pelo império Romano, talvez incriminado como subversivo, mas Cristo o declara: “minha fiel testemunha”. Assim acontece com aqueles que não se dobram diante das ameaças de Satanás. Em vários lugares o poder estatal é usado para martirizar aqueles que com coragem declaram sua fidelidade a Jesus.

CONCLUSÃO
Jesus, o Senhor, tem uma promessa para aqueles que forem fiéis. Eles receberão o maná escondido, que é o próprio Cristo, o pão vivo que desceu do céu (Jo. 6.35; Hb. 9.4). Trata-se de uma comunhão profunda com Cristo que o mundo não conhece. Eles também receberão uma pedra branca, com um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aqueles que a recebem. Essa pedra, com base nos costumes antigos, pode ser a absolvição que vem do Justo Juiz. O mundo, com seus valores e atitudes, será condenado, mas aqueles que permanecem fiéis à verdade, serão absolvidos (Rm. 8.1). Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas.

BIBLIOGRAFIA
MAYHUE, R. O que Jesus diria de sua igreja? São Paulo: Editora Vida, 2005.
STOTT, J. O que Cristo pensa da igreja. Campinas: United Press, 1999.
 
 

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LIÇÃO 04 - ESMIRNA, A IGREJA CONFESSANTE E MÁRTIR


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Lição 04 - ESMIRNA, A IGREJA CONFESSANTE E MÁRTIR

 
Texto Áureo: Ap. 2.10 – Leitura Bíblica: Ap. 2.8-11

Prof. José Roberto A. Barbosa


INTRODUÇÃO
Um dos principais desafios da igreja, em meio à secularização, é confessar Cristo como Senhor. Por causa disso, algumas vezes, um preço alto precisa ser pago, o de enfrentar duras perseguições. Na lição de hoje estudaremos a carta que Cristo endereçou à Igreja de Esmirna, veremos que, tal como aquela, devemos, nos dias atuais, ser fiéis à Palavra de Deus, ainda que sejamos perseguidos.

1. A IGREJA DE ESMIRNA
Esmirna significa myrh, fragrância usada para se fabricar perfume, sua casca exalava uma suave fragrância, como essa igreja, que tinha o cheiro de Cristo (II Co. 1.15-17). Esmirna ficava a aproximadamente cinquenta e cinco quilômetros ao norte de Éfeso e era um ponto marítimo próspero. Ela disputava com Éfeso o status de ser a principal cidade da Ásia. Esmirna esteve ao lado de Roma antes mesmo desta se tornar um império mundial. Nessa cidade o imperador era cultuado, e, devido ao seu prestígio político, obteve a honra de erigir um templo ao imperador Tibério em 26 d. C. Em 155. d. C., Policarpo, o bispo de Esmirna, foi sacrificado, em um complô entre os judeus e os romanos, que lhe pediram a vida. Antes do seu martírio, confessou sua fé em Cristo com a célebre frase: “Tenho servido ao Senhor Jesus por 86 anos. Ele tem sido fiel a mim. Como posso ser infiel a Ele, e blasfemar contra o nome de meu Salvador?”. Não existem informações a respeito de como a igreja foi fundada naquela cidade, supõe-se que essa tenha sido plantada como resultado dos trabalhos missionários de Paulo na região (At. 19.10). A palavra-chave extraída da carta de Cristo à igreja de Esmirna é sofrimento, tendo em vista que essa, diferentemente de Éfeso, demonstrou seu amor por Cristo, mesmo em meio à tribulação. Como Pedro e João, eles se regozijavam em “de terem sido julgados dignos de sofrer afronta pelo nome de Jesus” (At. 5.41), ciente da bem-aventurança de padecer por amor a Cristo (Mt. 5.11).

2. UMA IGREJA MÁRTIR
Para a Igreja de Esmirna, que estava sofrendo perseguição, Jesus se apresenta como o que foi morto, e reviveu (Ap. 2.8). A essa igreja não é direcionada qualquer repreensão, antes palavras de encorajamento. Ele conheçe as suas obras, tribulação e pobreza, principalmente a riqueza espiritual. Jesus se identifica com a igreja que sofre, pois ele mesmo sabe, por experiência – inferimos pelo verbo oida – conheço em grego. Ele sabe da tribulação que a igreja passa, não apenas intelectivamente, mas experiencialmente. A relação política de Esmirna com Roma ensejou dura perseguição contra os cristãos daquela cidade. Aquela era uma igreja atribulada pelo poderio de césar. Essa perseguição política resultava em pobreza, o que geralmente costuma acontecer (Ap. 2.9). A política é algo sério porque implica diretamente na vida das pessoas, posicionamentos governamentais podem favorecer o aumento da pobreza. Em oposição à famigerada teologia da prosperidade, ou melhor, da ganância, Cristo afirma que, mesmo sendo pobres, os crentes de Esmirna eram ricos. A pobreza não é uma maldição, Jesus declara que os pobres são bem-aventurados (Lc. 6.20) e Tiago assegura que Deus escolheu os pobres deste mundo para serem os ricos na fé (Tg. 2.5). Havia uma nítida perseguição religiosa, por parte daqueles que “se dizem judeus e não o são, mas são a sinagoga de Satanás” (Ap. 2.9). Desde o princípio os cristãos sofreram perseguição por parte dos religiosos judeus, Estevão, o primeiro mártir da igreja, fora apedrejado em Jerusalém (At. 7). Os judeus perseguiram Paulo em Antioquia da Psídia (At. 13.50), em Icônio (At. 14.2,5), em Listra (At. 14.19) e em Corinto (At. 18.6).

3. UM CHAMADO À FIDELIDADE
Jesus não prometeu o fim da perseguição, antes encorajou a igreja para que se mantivesse fiel: “nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, e terei uma tribulação de dez dias” (Ap. 2.10). Não sabemos se esses dez dias foram literais, mas devam ter sido difíceis, tendo em vista a força do poderio romano que estava a serviço do diabo. A luta da igreja não é contra a carne e o sangue, isto é, contra pessoas, mas contra os principados, potestades, príncipes das trevas e hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais (Ef. 6.11,12). Existem muitos crentes, nos dias atuais, que estão com medo da perseguição. Mas não devemos temê-la, pior que a perseguição é o esfriamento no qual muitas igrejas se encontram. A perseguição não desvia o cristão, antes purifica a igreja, levando-a a confessar, com ousadia, sua fé em Cristo. Alguns dos crentes de Esmirna estavam assustados, e até amedrontados, pois eram pessoas comuns, por isso as palavras de Jesus “nada temas” e “sê fiel até a morte”. A promessa do Senhor é que aqueles que fossem fiéis, mesmo que tivessem que passar pela morte, receberiam a “coroa da vida”. A primeira morte não deveria ser motivo de pavor para os crentes, já que, como diz a letra de um antigo hino, “não se pode matar um crente”. Não devemos temer aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma, antes temamos Aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma quanto o corpo (Mt. 10.28). Ser evangélico nominal é fácil, difícil mesmo é ser discípulo de Cristo, o que acarretará em perseguição (II Tm. 3.12). Quem quiser ir após o Senhor deve negar a si mesmo, tomar a cruz do discipulado, até a morte, como aconteceu com Dietrich Bonhoeffer, enforcado no campo de concentração na Alemanha, em 1945, por confessar sua fidelidade a Cristo.

CONCLUSÃO
Cristo é o Senhor da Vida, por isso, a morte foi vencido através da Sua ressurreição. Se nos mantivermos fiéis, na vida ou na morte, não sofreremos a segunda morte. Aqueles que não fraquejarem receberão dEle as seguintes palavras: “Vinde, benditos de meu Pai. Possui por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mt. 25.34). Sejamos, pois, fiéis, em todas as circunstâncias, e, que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas.

BIBLIOGRAFIA
LOPES, H. D. Ouça o que o Espírito diz às igrejas. São Paulo: Hagnos, 2010.
STOTT, J. O que Cristo pensa da igreja. Campinas: United Press, 1999.

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Membros escrevem o Novo Testamento em calçada de igreja


Enquanto cristãos ao redor do mundo comemoram a Páscoa e aprendem a “caminhar com Jesus”, membros de igrejas da cidade de Whiteville, na Carolina do Norte, celebraram de uma maneira diferente.
Os organizadores da “Caminhada com Jesus” acreditam serem os primeiros a escrever todo o Novo Testamento em giz na calçada. Eles usaram a quadra onde fica o templo da Igreja Batista Pleasant Plains.
Emily Fowler é apenas uma das cerca de 1.000 pessoas que ajudaram a escrever o livro sagrado na calçada. “Espero que isso ajude a mostrar que se você colocar esforço e dedicação no que ama, pode fazer qualquer coisa”, disse ela.
O pastor David Heller celebrou o culto no domingo de manhã ao nascer do sol junto com os cerca de 30 membros da congregação batista. “Deus nos deu um lindo dia. Foi lindo o que fizemos ontem e vai continuar sendo hoje”, disse Heller.
Após o culto, durante cerca de uma hora, os presentes terminaram de escrever as cerca de 138 mil palavras no Novo Testamento. O objetivo original era escrever toda a Bíblia, mas os organizadores perceberam que seria demais para a pequena comunidade.
“Há tantas coisas importantes no Novo Testamento”, lembra Kris Rausch. “Se as pessoas de uma pequena cidade podem escrever em dois dias o Novo Testamento, as pessoas de comunidades maiores poderão seguir os seus passos em outros anos. Eles provavelmente podem escrever toda a Bíblia”, disse.
“É uma coisa muito boa que fizemos e espero que se espalhe. Seria incrível ver isso em outros lugares”. Os membros da Igreja Batista Pleasant Plains de Whiteville sabem que sua obra não vai durar por muito tempo, mas esperam que as pessoas que andarem sobre as Escrituras nos próximos dias possam parar, ler e refletir sobre elas.
Traduzido e adaptado de Wect


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A EPÍSTOLA DE TIAGO


INTRODUÇÃO

Tiago é um dos livros problemáticos do N.T., em quase todos os seus principais aspectos tem sido disputados. Não há nenhum consenso geral acerca da natureza da maioria dos itens alistados neste trabalho.
A indisposição dos interpretes de examinar o livro com honestidade tem causado grandes dificuldades, pois eles tentem harmonizar Paulo e Tiago. Alguns dizem que a epistola de Tiago é um documento do cristianismo legalista, mas esse argumento tem sido negligenciado. Eles pensam que o livro na realidade não pode contradizer Tiago.
Não podemos nos esquecer que o problema do legalismo nunca foi solucionado até o fim do primeiro século, e que boa parte da igreja foi influenciada pelo judaísmo, e tentou incorporar o novo caminho ao velho. Vemos no décimo quinto capitulo de Atos que muitos crentes acreditavam que a circuncisão era necessária para a salvação. Temos o exemplo também da epistola escrita aos Gálatas, Coríntios, Romanos.
O objetivo deste trabalho é mostrar os argumentos a favor e contra a autoria do Livro por Tiago: quem era esse Tiago; a data em que ele escreveu; de onde ele escreveu; para quem ele escreveu; porque ele escreveu e uma comparação de seus escritos com Paulo.

1. AUTORIA

O livro identifica algum Tiago como seu autor. Mas qual Tiago está em foco, que nos seja conhecido no N.T.? Ou tratar-se-ia de um Tiago desconhecido? Ou seria esse livro uma pseudo-epígrafe . Essa prática era comum nos primeiros séculos da era cristã.

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A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DA GEOGRAFIA BÍBLICA


Ao analisarmos algumas passagens da Bíblia, vemos muitos relatos onde estas foram escritas, mostrando que a geografia dos países, (ou Bíblica em questão), nos dá uma linha de raciocínio a modo claro para sua interpretação. 

É muito importante o estudo geográfico da Bíblia, pois de cada país podemos extrair, por exemplo: A sua localização geográfica, língua de origem (observar se o mesmo dialeto ainda existe, ou hoje já se fala em outra língua diferentemente da época em que a Bíblia foi escrita) – Caso o país ainda exista, as características físicas e históricas, sem esquecer também das (os) grandes personalidades que passaram pelo período em questão estudado.

Este modo de estudo nos dá um auxílio de visão também espiritual, tendo como exemplo principal o país do Egito, embora fosse uma das civilizações mais importante do oriente médio, para o estudo Bíblico também, concentrando sua narrativa nos cinco primeiros livros. Pois a nação de Israel viveu ali de modo pacifico até a morte de José, depois disto sendo escravizada e por fim libertada por Moisés e como esta civilização influenciava o povo de Deus (os judeus) em alguns dos seus fracassos espirituais. (Gn. 46 a Êx. 19).

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Fórum de Ciências Bíblicas



Aspectos Transculturais da Tradução Bíblica e da Obra Missionária é tema de palestra do VIII Fórum de Ciências Bíblicas

Entre os dias 21 e 22 de junho, especialistas de renome internacional, de várias áreas, estarão reunidos no Museu da Bíblia (MuBi), em Barueri (SP), para a oitava edição do Fórum de Ciências Bíblicas. Com o tema “Bíblia e Missões”, esses especialistas vão focar a Bíblia Sagrada sob dois ângulos: como texto para o estudo de missões e como ferramenta missionária.

Abrindo o primeiro dia do evento haverá a conferência sobre os “Aspectos Transculturais da Tradução Bíblica e da Obra Missionária”, ministrada por Paulo César Duarte de Oliveira, coordenador de Missiologia da Área das Américas da Associação Linguística Evangélica Missionária (ALEM) e Aliança Global Wycliffe.

Na palestra, serão trazidas à tona as seguintes discussões: quando se traduz um texto, parte-se de uma cultura para outra. Da mesma forma, o movimento missionário é um movimento transcultural. Para que a tradução e a missão ocorram de forma coerente, é preciso compreender tanto a cultura fonte como a cultura objeto do trabalho.

Serão, ao todo, oito painéis, tendo como público-alvo professores e estudantes de Teologia, Ciências da Religião e Linguística, estudiosos da Bíblia, lideranças religiosas e cristãos em geral. Confira a programação completa e faça a sua inscrição on-line.

Programação
21 de junho (quinta-feira)

14h30 Abertura
14h45 – ASPECTOS TRANSCULTURAIS DA TRADUÇÃO BÍBLICA E DA OBRA MISSIONÁRIA. Paulo César Duarte de Oliveira, coordenador de Missiologia da Área das Américas da ALEM (Associação Linguística Evangélica Missionária) e Aliança Global Wycliffe.
16h30 – LUZ NA AMAZÔNIA – UM PROJETO DE MISSÃO HOLÍSTICA. Acyr de Gerone Junior, secretário regional da SBB em Belém, é mestre em Educação. Marizete Lopes Andrade, coordenadora regional de Ação Social da SBB, é mestre em Ciências da Educação e doutoranda em Gestão Social.
18h30 – A CAUSA DA BÍBLIA NO BRASIL: Sob a coordenação de Erní Seibert, secretário de Comunicação e Ação Social da SBB, neste painel, serão apresentados os programas e projetos que visam desenvolver a obra bíblica no País. Edson de Faria Francisco, linguista e professor do Departamento de Bíblia da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), é doutor na área de Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaicas. Wilson Paroschi, teólogo e professor, tem doutorado em Novo Testamento pela Andrews University (EUA).
20h00 – A BÍBLIA COMO TEXTO PARA MISSÕES. Timoteo Carriker, doutor em Filosofia, é mestre em Teologia e Divindade.

22 de junho (sexta-feira)

14h30 – Abertura
14h45 – A AUDIÇÃO DA BÍBLIA COMO FERRAMENTA MISSIONÁRIA. Eude Martins, assessor de Projetos Especiais da SBB e convidados. 16h30 – A BÍBLIA PARA PÚBLICOS COM NECESSIDADES ESPECIAIS: 10 ANOS DE BÍBLIA EM BRAILE E LANÇAMENTO DA SÉRIE AVENTURAS DA BÍBLIA EM LIBRAS. Erní Seibert, doutor em Ciências da Religião, é mestre em Teologia e secretário de Comunicação e Ação Social Social da SBB.
18h00 – A CAUSA DA BÍBLIA NO MUNDO: Neste painel serão apresentados os esforços que têm sido realizados pela obra bíblica em âmbito mundial. Esteban Voth, teólogo e biblista, é coordenador de tradução da Área das Américas, das Sociedades Bíblicas Unidas. Elza Tamez, teóloga e biblista, é consultora de tradução das Sociedades Bíblicas Unidas. Tem doutorado em Bíblia e é membro docente da Universidade Latino-americana da Costa Rica, tendo já recebido diversos prêmios por seu trabalho. Daniel Gerber, consultor de tradução das Sociedades Bíblicas Unidas.
20h00 – A TRADUÇÃO DA BÍBLIA NA PERSPECTIVA DAS MISSÕES. Esteban Voth, teólogo e biblista, é coordenador de tradução da Área das Américas, das Sociedades Bíblicas Unidas.

VIII Fórum de Ciências Bíblicas
Data: 21 e 22 de junho
Horário: das 14h30 às 21h30
Local: Centro de Eventos – Museu da Bíblia Av. Pastor Sebastião Davino dos Reis, 672 – Vila Porto – Barueri (SP)
Inscrições: R$ 30,00 (grupos com mais de dez pessoas têm 50% de desconto)
Informações: (11) 3474-5827 ou pelo site www.sbb.org.br/forum
 
 

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Lição 03 - ÉFESO, A IGREJA DO AMOR ESQUECIDO

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Lição 03 - ÉFESO, A IGREJA DO AMOR ESQUECIDO

 
Texto Áureo: Ap. 2.4 – Leitura Bíblica: Ap. 2.1-7

Prof. José Roberto A. Barbosa



INTRODUÇÃO
A primeira das sete cartas de Jesus é dirigida à igreja de Éfeso, a mais rica e importante cidade da Ásia Menor. Uma cidade estimada em mais de duzentos mil pessoas, onde ficava o mais importante porto da Ásia. Na aula de hoje, contextualizaremos a epístola, apresentando informações sobre a cidade, destacaremos as virtudes apontadas por Cristo em relação a essa igreja, e ao final, a crítica principal, o esquecimento do primeiro amor.

1. A IGREJA DE ÉFESO
Éfeso era o centro do culto a Diana (At. 19.35), cujo templo é considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo. Em tal templo havia várias sacerdotisas do sexo, que atuavam como prostitutas. Nesse templo também era adorada a deusa Roma e o imperador romano. Tratava-se, portanto, de uma cidade religiosa, que integrava adoração a essa deusa com práticas de imoralidade sexual (At. 19.19). Essa cidade fora visitada por Paulo por volta de 52. d. C., em sua terceira viagem missionária, a quem enviou uma das suas epístolas. Ao que tudo indica, a igreja de Éfeso fora fundada por Áquila e Priscila, juntamente com Paulo. Mais tarde o trabalho em Éfeso foi conduzido por Timóteo, companheiro do Apóstolo (I Tm. 1.3). De acordo com Irineu e Eusébio de Cesaréia, depois da morte de Paulo, aquela igreja passou a ser dirigida por João, o evangelista, posteriormente exilado na ilha de Patmos, autor do Apocalipse. Inácio, bispo de Antioquia, nos primeiros anos do século II, escreveu uma extensa carta à igreja de Éfeso, na qual a elogia pela unidade e conduta cristã irrepreensível, e por viverem em amor e harmonia sob a liderança de Onésimo, seu bispo.

2. UMA IGREJA VIRTUOSA
Três virtudes são destacadas por Cristo na igreja de Éfeso, inicialmente era uma igreja fiel na doutrina (Ap. 2.2,3,6), que mesmo cercada pela perseguição, e ameaçada por heresias, permanecia fiel à palavra de Deus. O próprio Jesus havia alertado a Sua igreja quanto aos lobos que viriam com peles de ovelhas (Mt. 7.15), bem como Paulo, na mesma cidade de Éfeso, quanto aos os lobos cruéis que tentariam devorar o rebanho (At. 20.29,30). Finalmente esse tempo havia chegado, e os crentes de Éfeso estavam diante de falsos ensinamentos. Mas a igreja de Éfeso tinha discernimento espiritual, por isso tornou-se intolerante com essas heresias, bem como contra o pecado, que geralmente é resultante dos ensinamentos contrários à palavra. O perigo era justamente a doutrina dos nicolaítas, um posicionamento liberal que não atentava para os princípios cristãos. Eles aceitavam a imoralidade sexual como se fosse algo normal, argumentavam em favor de um cristianismo que pactuava com atitudes promíscuas, semelhante ao que fazem algumas igrejas atuais. Outra virtude dessa igreja é que ela estava envolvida com a obra de Deus. Os crentes eram participativos, não apenas expectadores. Infelizmente, em algumas igrejas, as pessoas vão apenas para os cultos, cantam, dançam, mas não há qualquer relacionamento entre os membros. O individualismo do homem moderno está solapando também as igrejas cristãs, que não sabem mais o que é ter comunhão. Jesus também elogiou a disposição da igreja de Éfeso para enfrentar perseguições. A igreja não se abateu por causa das ameaças daqueles que adoravam a deusa Diana, bem como dos que se dobravam perante o imperador. A igreja cristã tem seus princípios, não pode fazer concessões em relação à imoralidade sexual, muito menos com posturas políticas que vão de encontro à Palavra de Deus. Pior do que a perseguição é o marasmo no qual se encontra determinadas igrejas evangélicas, que andam casadas com o liberalismo, a fim de serem politicamente corretas, ou de mãos dadas com políticos corruptos, a fim de tirarem algum proveito financeiro.

3. MAS QUE ESQUECEU O PRIMEIRO AMOR
A igreja de Éfeso esqueceu o seu primeiro amor, restou apenas o ativismo (Ap. 2.4). Há igrejas que estão centradas em meras atividades, têm cronogramas exaustivos, que são seguidos à risca. Muitas dessas igrejas já perderam o primeiro amor, a espiritualidade está comprometida, por isso, as atividades servem apenas para camuflar a ausência do genuíno amor. Não podemos esquecer que o amor sacrificial  – ágape em grego – é a marca da verdadeira igreja (Jo. 13.34,35). O principal problema da igreja de Éfeso é que ela identificava o mal nos outros, mas não em si mesma, perdeu a capacidade de fazer autocrítica. De fato, se fôssemos julgados por nós mesmos não seríamos julgados, mas quando somos julgados pelo Senhor é para não sermos condenados com o mundo (I Co. 11.20-32). Éfeso era uma igreja ortodoxa, isto é, que tinha uma doutrina correta, mas que carecia de uma ortopraxia, ou seja, uma conduta correta. Esse equívoco pode levar qualquer igreja à ruina, pois ela acaba se tornando hipócrita, acusa os erros dos outros, inclusive os da sociedade, enquanto age a partir dos mesmos valores que repreende. Mas nem tudo está perdido, Jesus apresenta uma solução para esse tipo de igreja: “lembra-te, pois, de onde caíste” (Ap. 2.5). Mais importante do que saber que caiu é identificar a origem da queda. Somente assim será possível retornar ao lugar correto. O filho pródigo somente encontrou a solução para sua condição espiritual quando percebeu que precisa retornar à casa do Pai (Lc. 15.17). Jesus acrescenta: “volta às obras que praticavas no princípio” (Ap. 2.5). O arrependimento genuíno resulta em prática de vida, em obras que sejam, de fato, dignas de arrependimento (Mt. 3.8).

CONCLUSÃO
Há uma advertência final de Cristo à igreja de Éfeso, que deve ser motivo de reflexão de toda igreja que se diz cristã, caso ela não se arrependa, Ele vira contra ela e tirará o seu candelabro (Ap. 2.5). Para que isso não aconteça é preciso, antes que seja tarde demais, retornar ao primeiro amor, pois, sem amor, de nada adianta profecias e mistérios, tudo não passará de barulho (I Co. 13.1,2). Portanto, quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas.

BIBLIOGRAFIA
LAWSON, S. L. As sete igrejas do Apocalipse. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.
STOTT, J. O que Cristo pensa da igreja. Campinas: United Press, 1999.
 
 

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São mais de 200 milhões os cristãos perseguidos no mundo


A informação foi dada por Catarina Martins, Diretora da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, em Portugal.

“São cerca 200 milhões os cristãos que são perseguidos anualmente e de cinco em cinco minutos morre um cristão por causa da sua fé. A situação é dramática no mundo e nós assistimos a um agravar-se das situações”: foi o que sublinhou nesta terça-feira Catarina Martins, Diretora da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, em Portugal, falando à Rádio Renascença.

Um dos casos mais graves de perseguição atinge neste momento a minoria cristã na Síria. Num país em revolução, a pressão dos militantes islâmicos já levou mais de mais de 50 mil cristãos a fugirem para o Líbano.

“A Primavera Árabe está provocando muitas alterações políticas nestes países e os cristãos têm sido vítimas, uma vez que o regime ditatorial passa para um regime de ditadura religiosa”, diz a diretora da fundação.

“Na Síria é preocupante. Era um país onde se podia fazer a passagem para o Ocidente. Neste momento não é um local onde os cristãos possam estar seguros.”

Catarina Martins sublinha ainda a generosidade dos portugueses que aderem habitualmente às campanhas lançadas. Para apoiar os refugiados sírios, a Ajuda à Igreja que Sofre enviou nos últimos dias alimentos e tendas no valor de 80 mil euros.

São situações de emergência, de pessoas que vivem sem dignidade, já perderam familiares e é necessário apoiá-las em pequenas coisas para dignificá-las no dia a dia”, destaca.

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, que depende da Santa Sé, apoia as comunidades cristãs em dificuldade. A prioridade é a formação de sacerdotes e a reconstrução de igrejas, como aconteceu recentemente no México e Cuba onde o Papa esteve. Às vezes, como é o caso agora na Síria, é preciso ajudar com bens de primeira necessidade.

Fonte: Rádio Vaticano

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As Sete Cartas do Apocalipse. 2º Trimestre de 2012


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Lição 02 - A VISÃO DO CRISTO GLORIFICADO

 
Texto Áureo: Ap. 1.17,18 – Leitura Bíblica: Ap. 1.9-18

Prof. José Roberto A. Barbosa


INTRODUÇÃO
Em continuidade à contextualização das Cartas às Sete Igrejas do Apocalipse, destacaremos, na aula de hoje, a visão dada a João, do Cristo Glorificado. A princípio, ressaltaremos a figura do Revelador, que é o próprio Cristo, em seguida, as características da Sua glorificação. E por fim, a reação de João, que deva ser a de todos nós, diante do Cristo Glorificado.

1. CRISTO, O REVELADOR GLORIFICADO
João recebeu de Cristo a ordem para que enviasse às sete igrejas da Ásia menor as visões que lhes seriam reveladas (Ap. 1.9). O Apóstolo Amado estava em espírito, no Dia do Senhor (Ap. 1.10), ao que tudo indica, um dia de domingo, já que esse era o dia em que os primeiros cristãos se reuniam (At. 20.7; I Co. 16.2). “Em espírito” aponta para uma experiência sobrenatural, talvez semelhante ao arrebatamento experimentado por Paulo, registrado em II Co. 12.2. João teve, então, sua primeira visão, sete candeeiros de ouro, que representavam a igreja, tendo em vista que essa é a luz do mundo (Mt. 5.14). No meio dos candeeiros de fogo João viu um semelhante a filho de homem, certamente o mesmo que fora visto por Daniel (Dn. 7.13), a Sua cabeça e cabelos eram brancos como alva lã, como neve, representando Sua santidade e divindade. Os olhos de fogo revelam Sua vitória sobre os inimigos (Ap. 19.12). Seus pés semelhantes ao bronze polido, como refinado numa fornalha destacam Sua força e poderio, pois Ele tinha na mão direita sete estrelas. Sendo Ele a Palavra, sai, da Sua boca, uma afiada espada de dois gumes. A Palavra de Deus que é a espada do Espírito (Ef. 6.17), espada afiada, capaz de discernir as intenções do coração humano (Hb. 4.12). Ele, como aconteceu no princípio, cria uma nova realidade a partir da Sua palavra, como Deus, que, ao falar, a tudo fez (Gn. 1.3).

2. CARACTERÍSTICAS DA GLORIFICAÇÃO DE CRISTO
Essa é uma visão extraordinária, que chamou a atenção de João, inicialmente por Sua supremacia. Jesus é a maior autoridade em meio às igrejas, pois foi Ele quem derramou sangue para resgatá-la (Ap. 1.18,19). Os interesses humanos, inclusive os da liderança cristã, devem submeter-se à voz dAquele que é o Cabeça da Igreja (Ef. 1.22; 5.23; Cl. 1.18). Suas vestes caracterizam a soberania, pois as vestes compridas e o cinto de ouro era uma marca daqueles que tinham autoridade. Após a ressurreição Jesus declarou que todo o poder havia sido lhe dado no céu e na terra (Mt. 28.18). Ele é o Santo, pois não conheceu pecado (Hb. 4.15), o Justo (At. 3.14), o Santo de Deus (Lc. 4.34), nEle não há pecado (I Jo. 3.5). Seu olhar, como chamas de fogo, aludem à capacidade de ver todas as coisas, que se tornam patentes aos Seus olhos (Hb. 4.13). Ele conhece os pensamentos humanos, e os perscruta (Lc. 6.8), bem como os corações (Jo. 2.25), por isso pode se dirigir às igrejas dizendo que as conhece (Ap. 2.2,9,13,19,3.1,8,15). Cristo é graça e amor, mas as igrejas não podem esquecer que Ele, é Fogo Consumidor, que julga o Seu povo através do fogo (I Co. 3.13-15). Por isso aponta os erros das igrejas (Ap. 2.4,14,15,20; 3.1; 3.15, 16). Essas são as características do Cristo Glorificado, que, após a Sua morte e ressurreição, subiu à destra do Pai, recebendo a glória que lhe pertencia antes da fundação do mundo (Jo. 17.5).

3. ADORAÇÃO DIANTE DO CRISTO GLORIFICADO
Diante do Cristo Glorificado, a igreja somente pode prostrar-se e, em submissão, adorar Aquele que é o Primeiro e o Último, que foi morto, mas que está vivo para todo o sempre, o Amém, que tem a chave da morte e do inferno (Ap. 1.17,18). Por isso, João, ao ver o Cristo Glorificado, cai aos seus pés, como morto. Desde a Antiga Aliança, ninguém podia ver a face de Deus (Ex. 33.20), as manifestações divinas provocavam assombro (Ez. 1.28-29; 3.22,23; 44.4). Isaias, no seu chamado para ser profeta, sentiu a miserabilidade do seu pecado, e clamou por perdão (Is. 6.1-5). Saulo, o perseguidor da igreja, não conseguiu ficar de pé diante da revelação e da voz que o impactou no caminho de Damasco (At. 9.3-5). Diante das grandezas das revelações de Cristo, devemos nos humilhar em reconhecimento a Sua potente mão (I Pe. 5.5,6). Muitas igrejas estão perdendo o temor pelo Senhor, não percebem que esse é o princípio da sabedoria espiritual (Pv. 1.7; 9.10; Ec. 12.13). Precisamos atentar para o exemplo de Jó, homem fiel a Deus, que O temia, por isso, se desviava do mal (Jó. 1.8). Quando tememos a Deus a ninguém mais temeremos (Mt. 10.28), pois Ele está no controle de todas as coisas, inclusive da morte e do inferno (Ap. 1.17,18). Isso porque a morte e o inferno não foram capazes de detê-LO. Ele é o Deus Vivo, o mesmo ontem e hoje e eternamente (Hb. 13.8)

CONCLUSÃO
A visão do Cristo Glorificado proporcionou a João a compreensão espiritual dos mistérios de Deus. Podemos ter o entendimento de tais revelações através das páginas da Escritura, no registro bíblico de que as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais, as sete igrejas (Ap. 1.20). Diante de tais verdades, mantenhamo-nos, humildes, pois a Palavra é revelada aos pequeninos (Mt. 11.25), não aos orgulhosos (I Co. 3.1-3). Imbuídos dessa sensibilidade, permaneçamos com os ouvidos espirituais atentos para ouvir o que o Espírito diz às igrejas (Ap. 3.6).

BIBLIOGRAFIA
LADD, G. Apocalipse: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1980.
LAWSON, S. L. As sete igrejas do Apocalipse. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.


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